segunda-feira, 29 de março de 2010

Revista Época faz matéria especial sobre a Igreja Mundial do Poder de Deus e o Apóstolo Valdemiro Santiago. Confira na integra


A Revista Época, do Grupo Globo, realizou uma matéria especial sobre a Igreja Mundial do Poder de Deus e o Apóstolo Valdemiro Santiago, falando sobre a doutrina, polêmicas e história da denominação dissidente da Igreja Universal do Reino de Deus. A reportagem foi publicada na última edição da revista. Abaixo você confere na integra a matéria sobre a Igreja Mundial e Valdemiro Santiago. Todo o conteúdo é de responsabilidade da Revista Época, e não representa a opinião do Gospel+ e de mais sites associados.

Com promessas de cura e até de ressurreição, o apóstolo Valdemiro Santiago transformou sua Igreja Mundial num novo império evangélico.

Uma das histórias que mais me impressionou (sic) foi de um homem que morreu. Como se diz no Nordeste, ele estava na pedra. A família já tinha recebido atestado de óbito. A filha dele chegou em mim na igreja, me abraçou e disse: “Se o senhor disser que ele está vivo, ele viverá”. O que houve ali foi pela fé dela. Comovido, respondi: “Então, está vivo”. Quando ela voltou para casa, estavam se preparando para velar o corpo e receberam a notícia de que o homem havia voltado à vida. Os médicos tentaram justificar, mas não conseguiram entender como o coração dele voltou a bater. Foi uma ressurreição.O relato acima foi feito em 2009 pelo líder evangélico Valdemiro Santiago de Oliveira numa de suas raras entrevistas, concedida a uma publicação evangélica chamada Eclésia.

Alto, negro, extrovertido, de fala rouca cheia de erros de português e forte sotaque mineiro, Valdemiro, de 46 anos, é o criador, líder absoluto e autoproclamado “apóstolo” da Igreja Mundial do Poder de Deus. Caçula entre as neopentecostais, a igreja foi fundada em 1998, em Sorocaba, interior de São Paulo. Mineiro de Palma, região de Juiz de Fora, Valdemiro gosta de se definir como “homem do mato” ou “um simples comedor de angu”. Na pregação diária de bispos e pastores e no boca a boca de milhares de fiéis, é reverenciado como milagreiro. Além de afirmar ressuscitar os mortos, cultiva a fama de curar de aids, câncer, cegueira, surdez, tuberculose, hanseníase, paralisia, alergias, coceiras e dores em qualquer parte do corpo e da alma. Num domingo com três cultos, Valdemiro chega a apresentar mais de 30 testemunhos de cura. ÉPOCA tentou falar com Valdemiro durante dois meses. As solicitações foram feitas por meio de assessores e bispos e diretamente a ele, na saída de cultos. Em duas ocasiões, ele prometeu dar entrevista, mas nunca agendou.


Dissidência da Igreja Universal do Reino de Deus, a Mundial é a menos organizada das evangélicas. Seus templos têm instalações precárias. A pregação é classificada por alguns como “primitiva”. Há gritos, choros e performances espalhafatosas. Até suas publicações são visivelmente mais pobres que as das concorrentes. Apesar de fazer quase tudo no improviso, a Mundial já é considerada o maior fenômeno religioso do Brasil desde a criação da Igreja Universal, em 1977, sob a liderança do bispo Edir Macedo. Mais que isso, a Mundial começa a se firmar como ameaça ao império que a Universal ergueu no campo das neopentecostais.

Carismático, intuitivo, meio desafiador, meio fanfarrão, Valdemiro comanda uma estrutura que, de acordo com números da igreja, reúne 2.350 templos, cerca de 4.500 pastores e tem sedes em mais 12 países. Só em aluguéis de imóveis para cultos a Mundial gasta R$ 12 milhões por mês, segundo estima o diretor de compras da igreja, Mateus Oliveira, sobrinho de Valdemiro. Em número de templos, a Mundial superou duas de suas três concorrentes neopentecostais: a Internacional da Graça, do missionário R.R. Soares, e a Renascer, do casal Estevam e Sônia Hernandes. Nos últimos dois anos, a Mundial praticamente multiplicou por dez seu tamanho (em 2008, eram 250 templos). Mantido o atual ritmo de crescimento, ela ultrapassaria a Universal até 2012. A igreja de Edir Macedo afirma ter 5.200 templos e 10 mil pastores.
Uma característica nova na expansão da Mundial está naquilo que o sociólogo Ricardo Mariano, estudioso de religião na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, chama de “pescar no próprio aquário evangélico”. Estudos sugerem que a maior parte dos seguidores da Mundial veio de outras neopentecostais, principalmente da Universal. Poucos eram do meio católico, tradicional fornecedor de fiéis para denominações evangélicas. “Calculo que mais de 50% dos membros da Mundial saíram da Universal, uns 30% da Internacional da Graça e o resto das demais evangélicas ou outras religiões”, diz Paulo Romeiro, professor de teologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie e autor de um livro sobre a igreja.

Na cúpula da Mundial, a presença de ex-membros da Universal é expressiva. Estima-se que 90% dos bispos e até 80% dos pastores tenham sido formados por Edir Macedo. O próprio Valdemiro tem origem na Universal, onde atuou por 18 anos. O apetite com que a Mundial avança sobre a Universal aparece até na distribuição geográfica dos templos. Valdemiro tem predileção por instalar igrejas em imóveis que já foram ocupados pela Universal.

Parte do encanto de Valdemiro está na imagem messiânica que ele construiu em torno de si, contando histórias mirabolantes. A mais espetacular está no livro O grande livramento: ele descreve um naufrágio que sofreu em Moçambique em 1996, quando ainda era da Universal. Valdemiro diz que ele e três conhecidos foram vítimas de uma sabotagem, que fez a embarcação afundar a 20 quilômetros da costa. A partir daí, a história ganha ares cinematográficos.

Valdemiro na época pesava 153 quilos (anos depois, ele faria uma cirurgia de redução de estômago). Ele diz que deu os únicos três coletes aos colegas e começou a nadar a esmo. Diz ter nadado oito horas “contra forte correnteza”, “ondas gigantes” e cercado por “tubarões-brancos assassinos” e “barracudas agressivas”. Na travessia, prossegue sua narrativa, um pedaço de sua perna foi arrancado e seus olhos foram queimados por “águas-vivas gigantes”. Quando finalmente chegou à praia, diz ele, dormiu na areia e acordou nos braços de dois estranhos, “africanos seminus”. “Tive a clareza de que os anjos do Senhor haviam me visitado e me dado o livramento”, diz. Dos três companheiros, dois morreram e um foi resgatado. Na época, jornais noticiaram o naufrágio, mas muita gente na igreja duvidou do relato. Um bispo foi à África fazer uma sindicância, mas isso não sanou as dúvidas.

Valdemiro também conta outros três causos de “livramento”. Diz que, numa ocasião, caiu do 8º andar de uma obra, mas nada sofreu. Afirma também que, passeando de carro “na África”, uma bomba de um campo minado explodiu “arremessando nosso carro uns 3 metros para o alto”. Diz ainda que sofreu uma tentativa de assassinato, mas os “matadores profissionais” erraram os cinco tiros. “Assustados, jogaram o rifle para dentro do carro e fugiram”, afirma.
DINHEIRO - Na multidão, uma fiel dá R$ 20 à Mundial. Nos grandes cultos, as doações são recolhidas por mais de 200 voluntários (à esq.). Depois, as sacolinhas são entregues numa cabine improvisada, de onde saem malas cheias (à dir.)
Além dos “livramentos”, a Mundial ostenta ainda outras três distinções em relação às concorrentes. A principal é a ênfase na cura. Diferentemente da Universal, que cresceu preconizando o exorcismo, ou da Renascer, que concentra o foco na prosperidade, a Mundial promete soluções divinas para doenças terrenas. O discurso não é novo. Nos anos 50, milagres de cura eram o mote da Igreja do Evangelho Quadrangular e da igreja O Brasil para Cristo, de Manoel de Mello. Valdemiro remasterizou o tema. Para dar credibilidade ao discurso, às vezes recorre ao médico Wandemberg Barbosa, que sobe ao altar para dizer que a medicina não explica certos fenômenos. “Há casos que só podem ser milagres”, diz Barbosa. “Tomo cuidado com o que falo porque existe a fiscalização do CRM (Conselho Regional de Medicina), mas Valdemiro não provoca a descrença na medicina. Ele nunca manda ninguém interromper o tratamento.”

Outra característica que distingue a Mundial é a sacralização do suor. A cada culto, Valdemiro passa quase três horas no altar. Ali, ele grita, canta, ri, chora, pula, se ajoelha e sua. Sobretudo sua. Quando a reunião termina, seu suor é disputado pelos fiéis. Mais de 200 chegam a cercá-lo. Tremendo, chorando, eles usam toalhinhas fornecidas pela igreja para coletar alguma umidade. Depois, esfregam o pano no próprio corpo, em fotos ou documentos. “A valorização do suor, que ocorre com vários líderes da Mundial, é uma novidade completa entre os protestantes”, diz o sociólogo e teólogo Ricardo Bitun, da Universidade Mackenzie. “Valdemiro é corajoso ao permitir que o público toque em seu corpo. Nenhum outro líder evangélico faz isso”, afirma o sociólogo Antônio Flávio Pierucci, da Universidade de São Paulo (USP).

O terceiro elemento distintivo da Mundial é a composição de uma cúpula majoritariamente negra. Os bispos Josivaldo Batista, o segundo na hierarquia, e Roberto Damásio, o terceiro, também são negros. Valdemiro fala com orgulho sobre a presença de negros na direção da igreja. E afirma já ter sido discriminado por sua cor. Eis o que diz o jornalista Ronaldo Didini, ex-homem de confiança de Edir Macedo que hoje trabalha como consultor de mídia para Valdemiro: “Uma vez, numa reunião de lideranças da Universal, Valdemiro foi indicado para liderar a igreja no Paraná. Macedo foi contra, dizendo que a sociedade paranaense era elitizada e que não mandaria um negro para lá. Quem defendeu o Valdemiro foi o Honorilton (Gonçalves), hoje presidente da Record. Mas não adiantou”. Por meio de sua assessoria, a Universal afirmou que tem vários pastores e bispos negros e que a acusação de discriminação contra Valdemiro é improcedente.

A Mundial não vive só de inovação. Noutros aspectos, aproveita o know-how dos concorrentes, como a prática de distribuir bens em nome de terceiros para esconder o enriquecimento das lideranças. “A Mundial cresceu muito. Então há coisas que o apóstolo coloca no nome de outros. Eu já tive veículos da igreja em meu nome”, diz Jorge Lisboa, obreiro e assessor da Mundial, presença frequente no altar ao lado de Valdemiro. “O primeiro carro que o apóstolo comprou pela igreja colocou no meu nome. Muita coisa é assim. Sabe por que o R.R. Soares está estacionado? Porque dedicou tudo à família. O dirigente tem de confiar nos outros. Se comprar dez emissoras de rádio, tem de colocar em nome de pessoas diferentes.” O missionário R.R. Soares não respondeu aos pedidos de entrevista de ÉPOCA.

A prática descrita por Lisboa é confirmada pelo advogado Fausto Bossolo, membro da Mundial e assessor do vereador José Olímpio (PP), representante da igreja na Câmara Municipal de São Paulo. “Como é que você vai declarar isso no Imposto de Renda? A Igreja Evangélica tem um crescimento absurdo e a demanda é muito grande”, diz ele. “Então é complicado colocar (tudo) no nome de uma pessoa só. Você tem uma casa e daqui a um ano tem 20. E aí? Como fica?”

Como outras igrejas neopentecostais, a Mundial também não se acanha em pedir ofertas. Apesar do perfil pobre do público, os pregadores não hesitam em estabelecer valores altos para as contribuições. Valdemiro já pediu até 30% da renda do fiel, o que foi batizado de “trízimo” : “Você vai dizer para Deus o seguinte: ‘Senhor, 70% de tudo o que o Senhor me der neste mês é meu. E 30% são da sua obra’”, disse. Depois, associou o “30” à “Santíssima Trindade”. Apesar de dizer que não faz distinção entre doadores, a Mundial qualifica as ofertas em categorias: ouro (R$ 300), prata (R$ 100) e bronze (R$ 50). “Quando Jesus nasceu, recebeu três presentes: ouro, incenso e mirra. Qual foi o mais importante?”, disse Valdemiro num culto. E respondeu: “O ouro!”.

O ex-pastor Rafael Ferreira, um dos raros dissidentes da Mundial, dá detalhes das táticas de arrecadação: “Em Mato Grosso havia uma meta de R$ 1 milhão por mês, além dos R$ 500 mil para pagar a TV. Eu era responsável pelos depósitos. Todo dia ia ao Bradesco do centro de Cuiabá e depositava de R$ 80 mil a R$ 100 mil na conta da igreja”. Ferreira atuou por três anos na Mundial. Ele conta como eram os “cursos de pregação”: “O bispo Sidney Furlan mandava a gente subir no altar e orientava sobre o que falar para comover o povo. Dizia que era preciso fazer um teatrinho, um sensacionalismo para o povo acreditar que a igreja era responsável pelas curas e milagres”. Ferreira, que se diz ex-homossexual, foi expulso da Mundial em dezembro. Ele pede R$ 1 milhão na Justiça por discriminação e calúnia. Os representantes da igreja em Cuiabá não quiseram comentar suas afirmações.

Problemas com a Justiça não são uma novidade para a Mundial. No começo do mês, três pastores da igreja foram presos pela Polícia Rodoviária em Mato Grosso do Sul. Com eles foram apreendidos sete fuzis, que, segundo a polícia, saíram da Bolívia e seriam entregues para traficantes no Rio de Janeiro. O próprio Valdemiro já foi apanhado em situação parecida. Em abril de 2003, o Ford Mondeo que dirigia foi parado numa blitz em Sorocaba. No carro, havia 26 cartuchos de munição e três armas: uma carabina calibre 22 e espingardas calibres 12 e 15. “Ele disse que era caçador. Falou que tinha morado na África, onde caçava elefantes”, diz o policial Danilo Ramos, que atuou no flagrante. Na casa do apóstolo, “um lugar sujo, nos fundos de um quintal”, segundo Ramos, os policiais acharam mais duas espingardas ilegais. Na delegacia, Valdemiro afirmou que ganhava “aproximadamente R$ 500 por mês” e não tinha imóvel nem dinheiro no banco. Passou a madrugada preso. Em 2005, foi condenado a dar três cestas básicas a uma instituição de caridade.

Ainda em 2003, Valdemiro voltou a esbarrar na ilegalidade. Ao renovar a carteira de motorista, usou o RG 16.717.037, que pertence a uma mulher nascida em Paraibuna, no interior de São Paulo. A habilitação, com o número de RG errado, venceu em 2008. Não consta que ele tenha tido problema por ter circulado com um documento com informação falsa.

Valdemiro já pediu até 30% da renda do fiel – o que foi batizado de “trízimo”

Com o crescimento da Mundial, o padrão de vida de Valdemiro mudou radicalmente, embora ele continue cultivando a imagem de interiorano simplório diante dos fiéis. Valdemiro mora num condomínio de luxo em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo. Quando precisa se deslocar, usa dois helicópteros e um jato Citation Excel, de R$ 18,5 milhões, alugado há cinco meses. O helicóptero menor é um Bell Jet Ranger 206B3, avaliado em R$ 1,3 milhão. De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), ele já pertenceu à apresentadora Xuxa. Hoje, está em nome de uma factoring chamada Athenabanco, que diz ter vendido o aparelho à Mundial no fim de 2008, em 12 parcelas. “O pedido de transferência para a igreja está na Anac há dois meses, mas o processo é lento”, diz Robinson Leite, diretor da Athenabanco.

O helicóptero grande é um Agusta A109-C, comprado pela Mundial em setembro de 2009, por R$ 5,1 milhões. Potente, luxuoso e seguro, o Agusta é um dos aparelhos mais cobiçados do mercado. Para embarques e desembarques perto de casa, Valdemiro usa o heliponto de Amilcare Dallevo, dono da Rede TV!. É uma situação provisória (que Dallevo prefere não comentar). Em pouco tempo, Valdemiro deverá construir seus próprios helipontos. A amigos, disse que vai construir um perto de sua casa e outro perto do enorme templo que está erguendo na Zona Sul de São Paulo.

A frota de aeronaves já parece insuficiente para o apóstolo. Há algumas semanas, corretores foram acionados para tentar vender o Agusta por US$ 2,5 milhões. “O plano de Valdemiro é comprar um Agusta Grand, o mais sofisticado da marca, que custa uns US$ 7 milhões”, diz um profissional do mercado. O avião também pode estar com os dias contados. “Eu já disse para o Valdemiro que ele precisa comprar um jato intercontinental. A igreja está em expansão na África”, afirma Ronaldo Didini.

Em seu próprio nome, o patrimônio de Valdemiro é bem menor. Com a mulher, a bispa Franciléia, ele é sócio de uma empresa de comunicação e de uma gravadora de CDs, que trabalham para a igreja. Franciléia é uma loira de 44 anos. Com joias e roupas chamativas, ela acompanha Valdemiro nos cultos e ora chorando. Ainda é sócia da editora que publica livros da Mundial. Oficialmente, a renda do casal sai apenas da venda dos livros e CDs. Os outros bens de Valdemiro são um Fusca 1969, uma moto 125 cilindradas e uma picape Dodge RAM 2.500 avaliada em R$ 100 mil.

O motor do crescimento acelerado da Mundial é sua estratégia de mídia, considerada a mais agressiva entre os evangélicos. Até dois anos atrás, a Mundial disputava fiéis pela TV em pé de igualdade com os concorrentes, alugando pequenas faixas da programação. Em agosto de 2008, deu um salto. Valdemiro fechou um acordo com a família Saad, do Grupo Bandeirantes de Comunicação, e passou a ocupar 22 horas diárias da grade da Rede 21, canal UHF com alcance nacional. O negócio, que garantiu presença avassaladora da Mundial na TV, foi articulado por Didini, que ficou com o cargo de gestor de conteúdo da emissora.

A Mundial tem também acordos com a Rede TV! – em que ocupa três horas e meia da programação diária – e com a CNT – oito horas por dia. Transmite por satélite para cinco países da África. No rádio, mantém operações em vários Estados. As mais relevantes no Rio e em São Paulo, onde a Mundial arrendou uma emissora FM para transmitir 24 horas por dia.

Ainda que a cúpula da Mundial mantenha segredo sobre a movimentação financeira da igreja, todos concordam que o gasto mais relevante é com mídia. Um membro da cúpula afirmou que o desembolso total nessa rubrica está em torno de R$ 13 milhões por mês. “No Canal 21, o apóstolo deve estar pagando uns R$ 7 milhões, daí para mais. Na Rede TV! foi renovado por R$ 1,9 milhão. E na CNT uns R$ 800 mil”, diz o assessor Jorge Lisboa sobre os três principais contratos. Para filmar eventos externos, a Mundial contratou a produtora de TV Casablanca, a maior do setor no Brasil.A nova ambição de Valdemiro é política. Seguindo a tendência de outras igrejas, ele quer criar sua própria bancada em Brasília e eleger um representante seu em cada Assembleia Legislativa do país. “A estratégia do apóstolo é lançar só um federal e um estadual por Estado. É para não ter competição interna”, diz Irio Rosa, escalado para ser candidato a deputado estadual no Paraná pelo nanico PSC (Partido Social Cristão). A legenda, cujos maiores expoentes são o senador Mão Santa (PI) e o ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz, deverá lançar a maioria dos candidatos da Mundial. Rosa, exibido constantemente na TV da Mundial, admite que mal conhece o Paraná.“Eu queria sair candidato por Brasília, mas o apóstolo não deixou. Então, faz um ano que estou morando em Curitiba”, diz.Um dos colaboradores mais importantes de Valdemiro fará dobradinha com Rosa no Paraná. É o executivo Ricardo Arruda Nunes, ex-presidente do desativado Banco de Crédito Metropolitano, conhecido como o banco da Igreja Universal. Nunes diz ser hoje responsável pela “estratégia financeira” da Mundial. Ele já foi investigado pela Polícia Federal e pela Procuradoria da República por suas supostas relações com empresas-fantasmas que teriam sido criadas pela Universal para lavar dinheiro. Agora, prestador de serviços para a Mundial, frequenta os cultos de Valdemiro todo domingo.

Em janeiro, Valdemiro Santiago quase recebeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu altar. A ocasião era um culto no Paço Municipal de São Bernardo do Campo, com público estimado em 50 mil pessoas. Lula chegou a confirmar presença, mas não apareceu, porque teve uma crise de hipertensão. Para representá-lo, compareceram dois petistas: o prefeito Luiz Marinho e o senador Aloizio Mercadante. “Eu não conhecia Valdemiro”, disse Mercadante. “É mesmo impressionante. Ele prega de forma muito direta, autêntica e popular. Lembra as manifestações que a gente fazia aqui neste mesmo lugar com os trabalhadores, um movimento forte, espontâneo e que incomoda as elites.” Mercadante prometeu articular um encontro de Valdemiro com Lula. Até a semana passada, nenhuma reunião tinha sido agendada.

Valdemiro procura cultivar contatos com políticos de diversas tendências. Mantém boas relações com o tucano Marconi Perillo, senador por Goiás, e com Ivo Cassol (PP), governador de Rondônia. “Imagine uma pessoa íntegra, boa, verdadeira. É ele, Valdemiro. Ele faz coisas que só Deus pode fazer”, diz Cassol. Ele costuma recebê-lo em sua fazenda, em Rondônia, para pescar. Entre os políticos de destaque, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), é o único com quem Valdemiro tem relacionamento dúbio. Em 2008, Valdemiro pediu votos para Kassab. No ano passado, quando a sede da Mundial no Brás, centro de São Paulo, foi lacrada por falta de segurança e excesso de barulho, Kassab passou a ser tratado como inimigo.

A sede do Brás é um galpão enorme e antigo, que funcionava como fábrica da família Matarazzo. Ocupa uma área de 43.000 metros quadrados e foi comprado pela igreja por R$ 60 milhões em 60 parcelas. O embargo ocorreu porque o imóvel tinha fiação exposta, piso e teto comprometidos e não contava com saídas de emergência, além de produzir muito barulho. Enquanto providenciava reformas, Valdemiro dizia que o fechamento era uma “perseguição dos poderosos à obra de Deus”. Várias vezes ameaçou retaliar Kassab nas urnas. A sede, que ficou 53 dias lacrada, é a principal fonte de renda da Mundial. “O fechamento da nossa igreja provocou um prejuízo de milhões e milhões de reais”, disse Valdemiro num culto em fevereiro, enquanto pedia mais ofertas aos seguidores.

De todos os assuntos relacionados à vida de Valdemiro, um dos mais polêmicos e misteriosos é sua saída da Universal. Valdemiro é o único dissidente de Edir Macedo que prosperou criando sua própria igreja. Depois de ocupar posições de destaque em São Paulo, Paraíba, Pernambuco e em Moçambique, Valdemiro rompeu com a Universal em 1997. Sua importância pode ser medida pelas participações societárias que acumulou. No último ano de Universal, tinha em seu nome duas TVs e três rádios FM da igreja. Há várias versões para a ruptura. Alguns dizem que Valdemiro foi expulso por desviar dinheiro da Universal. Outros dizem que ele discordou de Edir Macedo na nomeação de um bispo. Há quem diga que ele caiu em desgraça porque brigou com autoridades de Moçambique e atrapalhou a expansão da igreja por lá. Sua saída não foi amigável. “Sabe o que o Macedo fez com ele? Deu R$ 50 mil e um Gol velho. Jogou na mesa. Foi assim que o Macedo fez, ó: ‘Se você ficar, vou te dar uma liderança forte, um Audi, tudo. Se sair, leva R$ 50 mil e um Gol velho’”, afirma Didini, que deixou a Universal na mesma época. “Ganhei R$ 100 mil quando saí. O cara (Valdemiro) foi um líder, trabalhou 18 anos lá, deu a vida pela igreja e só levou R$ 50 mil.”

Parte importante do sucesso da Mundial é resultado da crise da Igreja Universal. Lideranças evangélicas dizem que a Universal começou a enfrentar problemas quando Edir Macedo passou a dedicar a maior parte de sua atenção à TV Record. “Ele deixou de ser igrejeiro, virou empresário e foi morar nos Estados Unidos, longe dos fiéis”, afirma o ex-bispo Marcelo Pires, que atuou na Universal e hoje move processos judiciais contra a igreja. “O seguidor da Universal nem vê mais o Edir pregando. Como não sente o carinho de seu líder, procura outras igrejas.” Há também o desgaste provocado pelas denúncias recentes de lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito contra líderes da Universal.

Desde a criação da Mundial, Edir Macedo nunca manifestou nenhum tipo de temor sobre a concorrente. Dias atrás, ele publicou um post em seu blog em que cita pela primeira vez a Mundial. Edir Macedo reproduziu a carta de uma fiel que teria passado pela igreja de Valdemiro. Ela diz que na Mundial viu sua vida espiritual “caindo a cada dia”. Os parceiros de Valdemiro comemoraram. Para eles, Edir Macedo passou um atestado de preocupação.

Em janeiro, Valdemiro Santiago quase recebeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu altar. A ocasião era um culto no Paço Municipal de São Bernardo do Campo, com público estimado em 50 mil pessoas. Lula chegou a confirmar presença, mas não apareceu, porque teve uma crise de hipertensão. Para representá-lo, compareceram dois petistas: o prefeito Luiz Marinho e o senador Aloizio Mercadante. “Eu não conhecia Valdemiro”, disse Mercadante. “É mesmo impressionante. Ele prega de forma muito direta, autêntica e popular. Lembra as manifestações que a gente fazia aqui neste mesmo lugar com os trabalhadores, um movimento forte, espontâneo e que incomoda as elites.” Mercadante prometeu articular um encontro de Valdemiro com Lula. Até a semana passada, nenhuma reunião tinha sido agendada.

Valdemiro procura cultivar contatos com políticos de diversas tendências. Mantém boas relações com o tucano Marconi Perillo, senador por Goiás, e com Ivo Cassol (PP), governador de Rondônia. “Imagine uma pessoa íntegra, boa, verdadeira. É ele, Valdemiro. Ele faz coisas que só Deus pode fazer”, diz Cassol. Ele costuma recebê-lo em sua fazenda, em Rondônia, para pescar. Entre os políticos de destaque, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), é o único com quem Valdemiro tem relacionamento dúbio. Em 2008, Valdemiro pediu votos para Kassab. No ano passado, quando a sede da Mundial no Brás, centro de São Paulo, foi lacrada por falta de segurança e excesso de barulho, Kassab passou a ser tratado como inimigo.

A sede do Brás é um galpão enorme e antigo, que funcionava como fábrica da família Matarazzo. Ocupa uma área de 43.000 metros quadrados e foi comprado pela igreja por R$ 60 milhões em 60 parcelas. O embargo ocorreu porque o imóvel tinha fiação exposta, piso e teto comprometidos e não contava com saídas de emergência, além de produzir muito barulho. Enquanto providenciava reformas, Valdemiro dizia que o fechamento era uma “perseguição dos poderosos à obra de Deus”. Várias vezes ameaçou retaliar Kassab nas urnas. A sede, que ficou 53 dias lacrada, é a principal fonte de renda da Mundial. “O fechamento da nossa igreja provocou um prejuízo de milhões e milhões de reais”, disse Valdemiro num culto em fevereiro, enquanto pedia mais ofertas aos seguidores.

De todos os assuntos relacionados à vida de Valdemiro, um dos mais polêmicos e misteriosos é sua saída da Universal. Valdemiro é o único dissidente de Edir Macedo que prosperou criando sua própria igreja. Depois de ocupar posições de destaque em São Paulo, Paraíba, Pernambuco e em Moçambique, Valdemiro rompeu com a Universal em 1997. Sua importância pode ser medida pelas participações societárias que acumulou. No último ano de Universal, tinha em seu nome duas TVs e três rádios FM da igreja. Há várias versões para a ruptura. Alguns dizem que Valdemiro foi expulso por desviar dinheiro da Universal. Outros dizem que ele discordou de Edir Macedo na nomeação de um bispo. Há quem diga que ele caiu em desgraça porque brigou com autoridades de Moçambique e atrapalhou a expansão da igreja por lá. Sua saída não foi amigável. “Sabe o que o Macedo fez com ele? Deu R$ 50 mil e um Gol velho. Jogou na mesa. Foi assim que o Macedo fez, ó: ‘Se você ficar, vou te dar uma liderança forte, um Audi, tudo. Se sair, leva R$ 50 mil e um Gol velho’”, afirma Didini, que deixou a Universal na mesma época. “Ganhei R$ 100 mil quando saí. O cara (Valdemiro) foi um líder, trabalhou 18 anos lá, deu a vida pela igreja e só levou R$ 50 mil.”

Parte importante do sucesso da Mundial é resultado da crise da Igreja Universal. Lideranças evangélicas dizem que a Universal começou a enfrentar problemas quando Edir Macedo passou a dedicar a maior parte de sua atenção à TV Record. “Ele deixou de ser igrejeiro, virou empresário e foi morar nos Estados Unidos, longe dos fiéis”, afirma o ex-bispo Marcelo Pires, que atuou na Universal e hoje move processos judiciais contra a igreja. “O seguidor da Universal nem vê mais o Edir pregando. Como não sente o carinho de seu líder, procura outras igrejas.” Há também o desgaste provocado pelas denúncias recentes de lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito contra líderes da Universal.

Desde a criação da Mundial, Edir Macedo nunca manifestou nenhum tipo de temor sobre a concorrente. Dias atrás, ele publicou um post em seu blog em que cita pela primeira vez a Mundial. Edir Macedo reproduziu a carta de uma fiel que teria passado pela igreja de Valdemiro. Ela diz que na Mundial viu sua vida espiritual “caindo a cada dia”. Os parceiros de Valdemiro comemoraram. Para eles, Edir Macedo passou um atestado de preocupação.

Fonte: Revista Época / Gospel+

http://noticias.gospelmais.com.br/revista-epoca-igreja-mundial-do-poder-de-deus-apostolo-valdemiro-santiago.html



sábado, 27 de março de 2010

Daime – Pastor da Bola de Neve e ex frequentador conta sua experiência com o chá do Santo Daime


Consumido há pelo menos 300 anos por comunidades indígenas da Amazônia, antes de ser transportado para os rituais do Santo Daime, o chá alucinógeno originado da planta ayahuasca, foi por três anos a solução encontrada por Fábio Mota para os seus problemas de depressão e “elevar o lado espiritual”, como afirma o ex-praticante do daime que chegou a visitar a casa do cartunista Glauco Villas Boas, assassinado na semana passada junto com o seu filho por um frequentador da Igreja Céu de Maria, liderada pelo desenhista.


Mota passou a seguir a doutrina daime com poucos mais de 20 anos, convidado por um amigo. A busca por novas experiências espirituais o levou ao Amazonas, região onde o fundador do Santo Daime, conhecido como mestre Irineu, recebeu uma visão de Maria, mãe de Jesus, instigando-o a inaugurar a religião que prega o auto-conhecimento por meio de experiências ritualísticas. “Foi lá que eu me fardei – que é tipo um batismo. Eu voltei de lá já sabendo o que eu queria – o daime”, relembra.

Diferente de outras drogas, Fábio conta que a característica principal do chá do daime está justamente na fusão com o espiritual.

“Não é só como uma viagem de ácido, por exemplo, ou um chá de cogumelo, que mexe com a mente e a pessoa dá umas viajadas. Você vai para outro lugar mesmo, para o inferno, para o mundo espiritual. Você tem esse acesso até lá”, explica ao Guia-me.

A ruptura de Fábio Mota com a religião do Santo Daime aconteceu em 1996, após a conversão de seus pais ao Evangelho. A decisão de mudar o rumo de sua vida aconteceu num grupo de jovens da Igreja Renascer em Cristo, que anos mais tarde se desligaria da denominação de Estevam Hernandes para se tornar a Igreja Evangélica Bola de Neve.

Há quase quatro anos pastor da Igreja Bola de Neve de Caraguatatuba, litoral norte de SP, Fábio conta que hoje não precisa de nenhum artifício para ter uma vida sadia espiritualmente, preenchida exclusivamente por Jesus. “Na época do daime, eu parei de usar cocaína, porque não batia. Parece que você não consegue. Hoje eu enxergo, pelo lado espiritual, que o diabo te liberta de umas correntes e te aprisiona com outras. Você acaba ficando preso do mesmo jeito”.

Como você conheceu o Santo Daime?

Fábio Mota: Antes de ir para o Santo Daime, na verdade eu sempre gostei de “fumar um”, bastante maconha e ácido. Eu comecei a me interessar muito por viagem astral.

Quando eu soube que tinha uma religião, que você tomava um chá e dava aquela “despirocada” toda, eu já estava meio mal comigo mesmo. Sabe aquelas depressões, aquelas “vibes” que você não sabe o sentido da vida? Estava até meio que querendo morrer.

Aí eu soube da religião do Santo Daime. Um amigo meu começou a ir primeiro e me convidou. Eu acabei indo. Era em Itapecerica (SP), numa comunidade chamada Flor das Águas, que ainda existe.

Eu frequentava, mas sabe aquele “convertido meia-boca”, que vai aos cultos aos domingos mas na verdade não pega firme? Eu comecei assim. Ia de vez em quando, buscava o lado espiritual.

Mesmo indo na Igreja do Santo Daime, o que te fez se interessar em participar dos rituais na Amazônia, local onde começou a religião?


Fábio Mota: Quando eu tomava [o chá] era algo muito forte. Você realmente sai de si. É algo demoníaco mesmo. Com o passar do tempo eu vi que precisava de mais. Aí foi quando eu fui para a Amazônia, no Acre, e quando eu quis conhecer de perto como começou a seita. Eu quis me aprofundar mesmo. Eu fui para o Acre, onde começou o Santo Daime com o Irineu, que eles chamam de “mestre Irineu”. Eu também sempre gostei muito de mato.

Do Acre eu fui para o Amazonas, num lugar que se chama Céu do Mapiá. São dois dias de canoa para chegar até lá, é bem na floresta mesmo. Lá eu fiquei uns 40 dias. Foi lá também que eu me fardei – que é tipo um batismo – e comecei a usar as roupas. Aí então eu comecei a frequentar o daime já fardado. Eu voltei de lá já sabendo o que eu queria – o daime.

Quando eu entrei no Santo Daime, eu ia por saber que podia tomar o chá, mas não por uma viagem de loucura, como acontece quando você toma um ácido ou chá de cogumelo, mas para poder usar o chá e auto me conhecer. Ia para poder elevar o meu lado espiritual.

O Santo Daime é uma mistura de catolicismo, espiritismo, umbanda. Os trabalhos começam às seis da tarde e vai até às 6 da manhã do dia seguinte. Você toma o chá e cada um tem as suas viagens, para tentar se auto conhecer e se curar de alguma coisa. Inclusive esse rapaz que matou o Glauco, estava lá para tentar largar as drogas.

Eu cheguei a ir na casa do Glauco. Ele não era meu amigo, era mais do amigo que me levou para o Santo Daime.

Você chegou a conversar com ele?

Fábio Mota: Na época ele morava no Butatan, perto da USP. Eu fui algumas vezes lá, mas a gente não era próximo de ligar um para o outro. Não lembro exatamente o que falamos.

Um dos requisitos para fazer parte do Santo Daime é que não é permitido ser usuário de drogas, nem de bebida alcoólica. Isso é verdade?

Fábio Mota: Naquelas, né. A maconha, que é liberada, eles chamam de santa maria.

Quando você toma o chá de ayahuasca, é como se você conhecesse realmente quem você é. É algo muito louco. É sobrenatural quando você se depara com você mesmo.

Como era o seu “eu interior”?

Fábio Mota: Eu era deprimido, com um vazio muito grande. As vezes as pessoas não querem realmente saber como elas são, vivem como se tivessem uma máscara. Quando você ministra alguém, aconselha alguém e fala a verdade, muitos se sentem machucados.

Muitas vezes, quando eu tomava o chá naquela época, eu me deparava comigo mesmo. Eu via quem realmente eu era. Eu não era aquela pessoa que eu fingia que eu era, aparentemente feliz. Com o tempo, eu fui me aprofundando e frequentando mais.

Quando você frequentou o daime, a santa maria era utilizada durante os rituais?

Fábio Mota: A maconha, santa maria, foi liberada pelo padrinho Alfredo quando ele recebeu uma visão da Maria [mãe de Jesus]. Ela disse para ele que podia fumar. Foi aí que começou a poder fumar. Todos usam a maconha, que eles chamam de santa maria. Eles fumam mesmo. Quando eu estava no Acre, na floresta, eram desde os velhinhos até todo mundo fumando. É liberado durante as reuniões, mas não no momento do chá.

Aqui em São Paulo não se usa tanto porque eles ficam com medo da polícia, de repente tem alguém infiltrado. Numa época que estava havendo perseguição, eles proibiram a maconha nos rituais. Mas lá no Amazonas, pelo menos, que é tudo no meio da floresta, é tudo liberado. Você sai, fuma e volta.

Você disse que se deparava com você mesmo nessas viagens com o chá da ayahuasca. Mas como eram essas viagens? Eram sempre boas?

Fábio Mota: Eram várias viagens, desde boas até ruins. Uma vez eu tomei e quando eu abri os olhos eu estava num lugar escuro e quando olhei para mim eu me vi em forma de uma espécie de nuvem, sabe? Era só um espírito, algo que não tinha matéria. Aí veio uma outra na minha direção. Aí eu me assustei e tentei me soltar dessa outra “energia”. Aí ele veio na minha direção e eu me afastei. Aí um rapaz bate nas minhas costas e eu volto para onde eu estava. Eu acordei, abri os olhos e ele me disse: “- Pô, meu! Você quer brigar comigo no astral?”. Ele e eu e estávamos num outro lugar.

Essa viagem você classificaria como boa ou ruim?

Fábio Mota: Nem boa, nem ruim. Eu fiquei com medo na hora. Era como uma viagem astral, quando o espírito sai do corpo. O meu corpo estava na sessão, e o meu espírito estava num outro lugar. Eram várias situações iguais a essas em que você entrava num lugar com um monte de corpos. O seu espírito realmente sai do corpo. Não é só como uma viagem de ácido, por exemplo, ou um chá de cogumelo, que mexe com a mente e a pessoa dá umas viajadas, vê tudo retorcido, o chão balançando. Além de mexer com o inconsciente, eu creio que ele abre uma porta no mundo espiritual. É como um portal com entrada de demônios. Você vai para outro lugar mesmo, para o inferno, para o mundo espiritual. Você tem esse acesso até lá.

Como foi a sua conversão ao Evangelho?

Fábio Mota: Eu comecei a fazer faculdade de agronomia, no interior de São Paulo. Eu recebi uma Bíblia daquelas que tem só Novo Testamento e Salmos. Deus começou a falar muito comigo através daquela Bíblia. Aí teve um final de semana, que era dia de um santo que não me recordo qual era, que eu fui para São Paulo num trabalho desses.

Eu estava lá e já não estava me sentindo bem, meio deslocado. Já tinha tomado o daime, mas não estava me sentindo muito bem com aquela situação toda. Quando eu olho, eu vejo um demônio, na época ainda não sabia que era um demônio. Era uma nuvem preta me rodeando. Começou a me rodear, rodear, rodear. Aí ele parou e começou a olhar para mim no meu olho. Na hora eu falei: Jesus! Quando eu falei isso, ele foi embora. Aí eu tentei continuar no trabalho, mas já não conseguia. O meu carro estava parado próximo e eu fiquei dentro do carro até o final do trabalho por que tinha uns amigos meus que estavam lá e eu ia dar carona para eles, senão já teria ido embora para casa.

A partir daí eu também não voltei mais. Aí se passaram mais ou menos seis meses. Quando eu voltei de férias da faculdade, foi quando eu me converti na Igreja Renascer. Os meus pais já tinham se convertido nesse tempo.

É algo muito forte. O ácido que eu já tomei, chá de cogumelo, dessas viagens todas, o chá do daime é algo que não chega perto desses tipos de drogas. Ele abre uma porta para o espiritual e que te deixa mal mesmo.

Você passou por alguma triagem para poder fazer parte das reuniões?

Fábio Mota: Não. Como eu já cheguei com esse amigo meu que já tinha começado a ir, ele já conhecia um pessoal do meio também.Eu cheguei na verdade com todo mundo. Não teve triagem nenhuma.

Você tomava o chá só nos rituais?


Fábio Mota: Era principalmente nos rituais, mas eu cheguei a tomar fora também.

No tempo que você estava no daime, você usava outras drogas também, além da Santa Maria?


Fábio Mota: Na época do daime, eu parei de usar cocaína, porque não batia. Parece que você não consegue. Hoje eu enxergo, pelo lado espiritual, que o diabo te liberta de umas correntes e te aprisiona com outras. Você acaba ficando preso do mesmo jeito.

Como era lidar com a realidade quando você voltava do transe?

Fábio Mota: Depois da loucura do daime, eu sentia muita paz.Você ficava com o corpo leve e muito tranqüilo. O pós-daime era uma situação muito boa.

Segundo psiquiatras, nos primeiros efeitos do chá você sente um relaxamento. Com você era assim?


Fábio Mota: Quando abre o trabalho, você toma um pó. Aí não bate tanto. Quando você toma o segundo, depois de um intervalo de meia hora em que você fuma uma santa maria, come uma fruta, fica conversando, e ai volta o trabalho de novo e você toma outro. Aí é quando começa realmente a loucura toda. Numa reunião você toma metade de dois a três copos daqueles de café.

Os efeitos do chá eram imediatos ou demorava para acontecer as “viagens”?


Fábio Mota: Demora um tempinho, por volta de 1 hora. Começam as músicas, você fica lá dançando, até vir a loucura do daime. Mas esse tempo depende de cada um também.

O Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (Conad) descartou a hipótese de dependência da droga, se ingerida somente nos rituais a cada 15 dias. Hoje você considera que era um dependente do chá?

Fábio Mota: Dependente do chá eu não era. Eu era dependente químico de maconha, numa época de cocaína. Eu nunca tive problemas com o chá. Mas eu sei que o diabo tem utilizado formas e formas para aprisionar as vidas. Essa é mais uma delas.

Eu creio que até essa morte do Glauco, queira ou não, foi uma forma para quem não conhecia o chá, passar a conhecer. Eu creio que muitas pessoas vão querer conhecer o Santo Daime por causa disso. Foi muito divulgada a doutrina. O interesse de muitas pessoas vai aumentar.

Você acredita que se comprovado que o rapaz tinha problemas psiquiátricos que foram desencadeados pelo chá do Santo Daime, pode haver uma nova avaliação do Brasil sobre a regulamentação do uso do chá?


Fábio Mota: Eu creio que sim, se for comprovado que a culpa foi do chá. Eu vi nos telejornais nessa semana que tiveram alguns outros casos, que um jovem se matou e a família está acusando o Santo Daime.

Os especialistas dizem que o chá não provoca violência nos usuários. Você chegou a presenciar algum surto de violência?

Fábio Mota: Realmente, pelo que eu vivi nesse tempo, o chá não causa momentos de violência. A pessoa fica realmente tranquila. O corpo leve e cada um tendo a sua viagem. Nunca vi alguém se exaltar por causa do chá.

Se a pessoa já tem um problema psicológico, de repente o daime pode vir a causar alguma coisa. Só mesmo os médicos para dizer isso.

O porquê desse rapaz ter matado o Glauco, eu creio que ele já tinha um distúrbio há muito tempo de droga e loucura. Ele na verdade estava seguindo o mesmo caminho da mãe.

Fonte: Guia-me / Gospel+

sábado, 6 de março de 2010

Marcha para Jesus 2010 será sobre o tema Copa do Mundo


Em ano de Copa do Mundo, quando o patriotismo do brasileiro fica mais intenso, o tema da Marcha para Jesus 2010 terá as cores da torcida brasileira. O logotipo oficial, usado nos anos anteriores, saiu para dar lugar às cores da bandeira nacional.

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Aprovado pelos líderes da Igreja Renascer, responsáveis pela organização do evento, o novo logotipo será usado em todas as peças publicitárias, como TV, material impresso e camiseta oficial, por exemplo. A ideia do tema é focar todas as ações para transformar essa alegria popular que é o futebol em fator agregador.

A Marcha para Jesus, em São Paulo, será no dia 03 de junho e a concentração será na Praça Heróis da Força Expedicionária Brasileira.

Fonte: Renascer / Gospel+

segunda-feira, 1 de março de 2010

Pastores morrem cantando hino da harpa e emocionam bombeiros que os socorriam após acidente


Dois pastores evangélicos e um motociclista morreram num acidente envolvendo sete veículos, na manhã de ontem, na Rodovia do Contorno, trecho da BR 101 que liga Serra a Cariacica no Espírito Santo.

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Os religiosos pertenciam à Igreja Assembleia de Deus e haviam saído de Alegre, município da Região Sul do Estado, rumo a uma convenção estadual da igreja em Nova Carapina II, na Serra.

Os veículos – cinco caminhões, uma moto e um automóvel Del Rey – bateram um atrás do outro. O engavetamento aconteceu às 8h15, no quilômetro 277, na Serra. Os pastores estavam no carro.

Tudo começou quando um caminhão freou por causa do intenso fluxo de carros no sentido Cariacica – Serra. Os veículos que vinham atrás dele frearam também, mas o último caminhão – de uma empresa de cerveja – não conseguiu parar a tempo. Com isso, os veículos que estavam à frente foram imprensados uns contra os outros.

Os pastores José Valadão de Souza e Nelson Palmeira dos Santos e o motociclista Jonas Pereira da Silva, 52 anos, morreram no local. Dois outros pastores, que também estavam no Del Rey, sobreviveram, e o motorista de um dos caminhões sofreu arranhões nas pernas. Nenhum dos outros caminhoneiros ficou ferido.

O proprietário e condutor do Del Rey é o pastor Dimas Cypriano, 61 anos, do município de Alegre. Ele saiu ileso do acidente e teve ajuda do motorista José Carlos Roberto, carona de um dos caminhões, para sair do veículo.

Seu amigo de infância, o pastor Benedito Bispo, 72, ficou preso às ferragens. Socorristas do Serviço Médico de Atendimento de Urgência (Samu) e bombeiros fizeram o resgate dele. O pastor teve politraumatismo e foi levado para o Hospital Dório Silva, na Serra.

A mulher de Benedito chegou a ver o marido sendo socorrido e teve que ser amparada por um familiar. Ela também seguia para a convenção num outro veículo. A rodovia ficou interditada durante vários momentos da manhã de ontem nos dois sentidos. O trecho só foi totalmente liberado no início da tarde.

O pastor Dimas Cypriano, que sobreviveu ileso ao acidente na manhã de ontem, no Contorno, contou que usava cinto de segurança e que ficou preso ao tentar sair. Ele dirigia o Del Rey e disse que precisou de ajuda para sair do carro. Mas depois continuou no local, acompanhando os trabalhos de resgate do colega, Benedito Bispo. Nas mãos, levava uma Bíblia que ficou suja de sangue. Mas isso não impediu que o pastor orasse durante o socorro.

O mais comovente do triste episódio, foi o relato dado por 2 pastores sobrevivente, e pelos bombeiros que tentavam tirar os pastores ainda com vida, que estavam presos nas ferragens.

As testemunha citadas acima, contam que os pastores Nelson Palmeiras e João Valadão, ainda com vida e presos nas ferragens, em meio a um mar de sangue que os envolvia, começaram a cantar o Hino 187 da harpa cristã:

Mais perto
Quero estar meu Deus de ti!
Ainda que seja a dor
Que me una a ti,
Sempre hei de suplicar
Mais perto
Quero estar meu Deus de ti!

Andando triste
Aqui na solidão
Paz e descanso
A mim teus braços dão
Nas trevas vou sonhar
Mais perto
Quero estar meu Deus de ti!

Minh’alma cantará a ti Senhor!
E em Betel alçará padrão de
Amor,
Eu sempre hei de rogar
Mais perto
Quero estar meu Deus de ti!

E quando Cristo,
Enfim, me vier chamar,
Nos céus, com serafins irei
Morar
Então me alegrarei
Perto de ti, meu Rei, meu Rei,
Meu Deus de ti!

Aos poucos suas vozes foram silenciando-se para sempre.

As lagrimas tomaram conta dos bombeiros, acostumados a resgatar pessoas em acidentes graves, porem jamais viram alguem morrer cantando um hino; como foi o caso dos pastores Nelson Palmeiras e João Valadão .

Fonte: Genizah Virtual / Gospel+
Via: Gospel Prime